5 de dezembro de 2013

Moradores de Povoado em Olho d’Água preservam antigas tradições

Os moradores do Povoado Igarapé da Palmeira, localizado a 13 Km de Olho d’Água das Cunhãs-MA, ainda preservam algumas tradições.

Em meio a mudanças radicais provocadas pela globalização, alguns poucos povoamentos, conseguem manter costumes, crenças e tradições de seus ancestrais.

A localidade Igarapé da Palmeira foi, onde os retirantes do Ceará e Piauí fugindo da seca implacável de 1958 encontraram terras férteis para recomeçarem a vida. Passada a seca, alguns retornaram aos estados de origem, mas muitos permaneceram, persistiram e conseguiram riquezas abundantes, hoje muitos destes, são grandes proprietários de terras ou grandes empresários.

No povoado de aproximadamente 25 casas, são visíveis os reflexos da globalização, através das antenas parabólicas, antenas de celular rural, celulares, tabletes, TV’s e outros... Mas, são mantidas, algumas tradições deixadas pelos primeiros moradores, como a construção de casas de taipa e cobertas de palha de babaçu, construção e limpeza de poços (Cacimba), plantação e limpeza de roças, deslocamento de doentes em redes e demais, tudo em regime de mutirão.

Nossa equipe participou da construção de uma casa de taipa no Domingo (1º de dezembro), e levou os olhodaguenses que passavam férias Eliel Rêgo e sua esposa Dona Maria Antonia proprietários de uma fazenda na zona rural de Divinópolis-TO, para rever e catalogar a tradição. Segundo Eliel fazia 30 anos que não via o mutirão conhecido como: Tapação de casa de taipa.

Por volta das 7hs da manhã, aproximadamente 15 a 20 pessoas iniciaram o trabalho na futura moradia do casal Raimundinha e Juvelino (Pena) filho do Senhor Luís Maria e Expedita (Dita) moradores nascidos e criados ali. Dois amassadores de barro, dois enchedores, e duas duplas de pavioleiros se encarregavam de colocar o barro para os tapadores, a tarefa de aguar (Molhar) o barro era do dono da casa. João Salú um dos pavioleiros é também a alegria da turma, contando seus causos e piadas, segundo ele tudo “Verdade”.

A tradição reza que o dono da casa, tem que oferecer uma boa cachaça aos trabalhadores, as mulheres da família se encarregam de fornecer água potável e cuidar do almoço, servido somente ao termino do serviço, e ocorre geralmente por voltas das 11 horas, no máximo meio dia. A lida com o barro aumenta a fome dos trabalhadores voluntários, então o capricho com a comida, tem que ser tanto na qualidade, quanto na quantidade, pra ninguém sair falando, como dizem por aqui.

O que impressiona é o fato de todos, após pegarem o rango seguirem para casa, pois domingo no povoado é dia de trabalhos voltados para família, como: Botar umas cargas de coco babaçu no jumento (Jegue), quebrar o babaçu, fazer uma caeira de carvão, capinar o quintal, fazer um rego... Enfim! Somente no final da tarde o pessoal vai bater o bom e velho futebol, para distrair, pois segunda cedinho a maioria dos moradores vão prestar serviço
nas fazendas da região, erguendo cercas de arrame farpado, roçando juquira, mexendo com gado, fazendo pé de arrame (Roçando) e outros, além de cultivar também a própria roça nas horas vagas. Mas, foi avisado aos presentes, que no próximo domingo (8), o amigo Tino vai cobrir a casa de palha de babaçu, todos estarão na mesma lida, mantendo a antiga tradição.

Igarapé da Palmeira é um dos últimos lugares da região, a manter estas e outras tradições vivas. Nós do “Mearim Net” acompanhados do amigo Gildássio e do casal Eliel e Maria Antonia, tivemos muito prazer em participar de tudo, felizes por reviver aquilo que lembra muito nossa infância.

A matéria foi sugerida pelo senhor Eliel Rêgo, filho do saudoso Pastor Paulo Rêgo (Assembléia de Deus), um dos grandes homens que marcaram a história de nossa cidade.

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